Além disso, cole esse código imediatamente após a tag de abertura :
Loader

Blog

29 ABR Cultura indígena foi tema de aulas especiais no Sigma

Cultura indígena foi tema de aulas especiais no Sigma


Na semana em que se comemora o Dia Nacional do Índio, o Colégio Sigma realizou uma série de atividades para abordar a cultura indígena e sua importância histórica, social e política. No último sábado, foi realizado o plantão especial com o tema: “Povos indígenas: sua trajetória e impacto no mundo contemporâneo”.  Os professores Flávia (Redação), Jorge (Filosofia e Sociologia), Biti (Literatura) e Henrique (Biologia) falaram para o auditório lotado sobre a origem do índio, doenças que assolaram esses povos e o índio como personagem da literatura. 

Jorge destacou o multiculturalismo e o olhar etnocêntrico e europeu sobre esses povos. Ainda, o professor de sociologia falou um pouco sobre a origem do índio. “Fomos ensinados a olhar para o índio a partir do ano de 1.500. Mas existe uma pré-história indígena”, frisou ele, lembrando que todo povo tem uma cultura que não é estática, que se transforma. Biti destacou algumas obras clássicas, como Macunaíma, de Mário de Andrade, no período do modernismo. Além de livros mais antropológicos, como Quarup, de Antonio Callado.
 
O professor Henrique, por sua vez, relembrou como foram os primeiros contatos dos povos indígenas do Brasil e da América Latina com os estrangeiros, ainda no século XVI. E pontuou várias doenças que dizimaram os índios, como um surto de varíola durante o Império Asteca, que matou mais de 5 milhões de indígenas. Depois, esses povos ainda sofreram com malária, sífiles, sarampo, catapora, gripe, entre outras. “Eles não tinham imunidade contra as doenças do homem branco e foram muito afetados”, lembrou.

Para enriquecer o assunto, durante a semana os alunos do Colégio Sigma tiveram a oportunidade de assistir a uma palestra com a professora da Unioeste, em Foz do Iguaçu e pós-doutoranda, na UEL, Eloá Soares Dutra Kastelic, da área de Serviço Social, e que estuda a cultura indígena, mais especificamente a formação de professores indígenas. Também participou da palestra a mestranda Gilza de Souza, uma índia da etnia Kaingang e que também atua na área de Serviço Social.

Eloá falou um pouco do seu trabalho junto às comunidades Guarani na região Oeste do Paraná e sobre os povos indígenas no geral. “São povos interessados e com uma importância cultural, política e social fundamental para o País”, disse a professora, reforçando que durante os trabalhos de pesquisa tomam o cuidado de não serem invasivos. Os Guarani, reiterou ela, são um povo com uma história de luta e resistência pelas suas terras desde o período da colonização. Sobre o número da população, Eloá pontua que de acordo com números da Funai existem hoje perto de 900 mil indígenas no País e cerca de 13 mil no Paraná. No Estado, 70% é Guarani e 30% Kaingang. Há ainda algumas comunidades de índios da etnia Xetá.

Gilza contou um pouco sobre a sua vida na aldeia em São Jerônimo da Serra, como foi sua rotina estudantil e como entrou para a universidade. Ela lembrou que entrou para a faculdade de Direito na UEL em 2006, cursou dois anos, mas não se adaptou ao curso. Voltou para a aldeia e, anos depois, decidiu cursar outra faculdade, agora de Serviço Social. Enfrentou algumas greves, mas se formou em 2015. Em 2017 teve a oportunidade de participar de um projeto de extensão da UEL sobre o fortalecimento do ensino dos professores indígenas das escolas indígenas do Norte do Paraná. E no ano passado entrou para o mestrado em Serviço Social, onde atualmente trabalha na pesquisa sobre “Conflitos e Resistência dos Avá-Guarani do Oeste do Paraná”, um trabalho que é feito em conjunto com alunos da UEL, UEM, Unioeste e USP-Esalq.

“O acesso do povo indígena à faculdade tem mudado a realidade das aldeias”, ressaltou ela, lembrando que a entrada para o ensino superior se dá através de um vestibular específico. Para exemplificar a mudança que os estudos têm proporcionado, ela contou que hoje mora na cidade, mas tem dois irmãos que moram na aldeia e que são professores na escola local: um é educador físico e outra pedagoga. Atualmente, segundo Eloá, existem cerca de 260 indígenas cursando faculdade no Paraná, distribuídos entre as instituições públicas.